
Quem começa a pesquisar coisas para fazer em Doha logo percebe que a capital do Catar conseguiu se transformar, em poucos anos, em um dos destinos mais completos do Oriente Médio. Depois da Copa do Mundo de 2022, a cidade ganhou uma infraestrutura turística ainda mais robusta, e hoje reúne num raio pequeno experiências bem diferentes entre si: dunas de areia a menos de uma hora do centro, museus premiados internacionalmente, um litoral cheio de arranha-céus e mercados tradicionais que resistem ao lado dos prédios de vidro.
O clima também influencia bastante o roteiro: entre novembro e março as temperaturas ficam entre 18°C e 28°C, período ideal para caminhar pela cidade e sair para o deserto, enquanto nos meses mais quentes do ano, quando a temperatura passa dos 40°C, os passeios costumam se concentrar em atrações fechadas e com ar-condicionado. De qualquer forma, dá para montar um roteiro rico o suficiente para preencher vários dias de viagem, misturando aventura no deserto, passeio de barco, compras nos souqs e um mergulho na cultura catariana pelos museus da cidade.
Antes de sair explorando, vale garantir com antecedência as passagens aéreas para Doha e escolher onde ficar entre as opções de hotéis em Doha, que vão de resorts à beira-mar a hospedagens mais simples perto do Souq Waqif.
Um dos programas mais procurados por quem visita o Catar é o safári no deserto, que costuma incluir dune bashing (aquele passeio de carro 4x4 subindo e descendo dunas), parada no Inland Sea, o mar interior que separa o Catar da Arábia Saudita e, em algumas versões, passeio de camelo e pôr do sol no meio das dunas. É um passeio de meio dia ou dia inteiro, geralmente saindo pela manhã ou no fim da tarde para fugir do calor mais forte.
Para quem gosta de paisagens fora do comum, vale reservar um dia para a excursão a Zekreet, uma península isolada no interior do país conhecida pelas formações rochosas em formato de cogumelo e pela chamada Film City, um vilarejo abandonado construído para produções audiovisuais que hoje parece um cenário surreal no meio do deserto.
Na mesma região fica a Dhal Al Misfir, considerada a maior e mais profunda caverna acessível do Catar, com cerca de 40 metros de profundidade. Formada há centenas de milhares de anos, ela é conhecida pelo brilho quase fantasmagórico que a gipsita das paredes emite em certas condições de luz. Por ficar a cerca de 50 minutos de carro de Doha, em terreno sem asfalto, o acesso costuma ser feito em veículo 4x4 e quem preferir dirigir por conta própria também encontra opções de aluguel de carro para chegar até lá.
Outro programa clássico é o passeio de dhow ao entardecer, feito nos tradicionais barcos de madeira usados antigamente pelos pescadores e mergulhadores de pérolas da região. O passeio costuma sair da área do Corniche, a orla que contorna a baía de Doha, e mostra de um ângulo diferente o contraste entre os arranha-céus modernos da West Bay e a arquitetura mais tradicional do outro lado da baía, especialmente bonito durante o pôr do sol.
Para conhecer os principais pontos da cidade em um só passeio, existe o tour pela cidade de Doha, que costuma passar pelo Souq Waqif, o mercado tradicional com becos estreitos, lojas de especiarias e restaurantes que funcionam até tarde da noite, e segue pelo Corniche até a The Pearl, uma ilha artificial de luxo com marina, lojas e restaurantes à beira-mar. Katara Cultural Village também costuma entrar no roteiro: é um bairro cultural com anfiteatro, galerias de arte, mesquitas e uma faixa de praia, construído para abrigar eventos e manifestações culturais do Catar.

Quem gosta de museus encontra em Doha dois grandes destaques. O Museu de Arte Islâmica, projetado por I. M. Pei (o mesmo arquiteto da pirâmide do Louvre), fica numa ilha artificial junto ao Corniche e reúne peças de arte islâmica de diversos séculos, entre tapeçarias, cerâmicas, joias e instrumentos de navegação.
Já o Museu Nacional do Catar, projetado por Jean Nouvel com uma estrutura inspirada na rosa do deserto, conta a história do país através de espaços imersivos e instalações multimídia. Os dois ficam próximos um do outro e costumam ser combinados num mesmo dia de passeio.
Para quem prefere se organizar por conta própria, o ônibus turístico de Doha é uma opção prática: no modelo hop-on hop-off, ele passa pelos principais pontos da cidade, Corniche, Souq Waqif, The Pearl, Katara e West Bay e permite descer, visitar cada atração no seu ritmo e pegar o próximo ônibus para seguir viagem, com audioguia explicando um pouco da história de cada parada. Quem prefere se locomover pela cidade sem depender de passeios fechados também encontra opções de ônibus para se deslocar entre os bairros.
Em geral, de 3 a 4 dias já são suficientes para conhecer com calma o centro da cidade, fazer um passeio de dhow e reservar um dia inteiro para o deserto, incluindo Zekreet e a Dahl Al Misfir.
Os meses entre novembro e março, quando as temperaturas ficam entre 18°C e 28°C, são os mais indicados para passeios ao ar livre, como o safári no deserto e o tour pela cidade.
Não é obrigatório. A maioria dos passeios, como o safári, o tour pela cidade e as excursões a Zekreet e à Dahl Al Misfir, já inclui transporte, mas quem preferir mais autonomia pode alugar um carro ou usar o ônibus turístico para cobrir os pontos dentro da cidade.
O horário mais procurado é o final da tarde, próximo ao pôr do sol, quando a luz fica mais bonita sobre o Corniche e os prédios da West Bay.
Não é recomendada para crianças pequenas nem para quem tem dificuldade de locomoção, já que o acesso envolve pedras soltas e uma descida de cerca de 40 metros.
Com tanta variedade de opções, dá para ver que as melhores coisas para fazer em Doha vão muito além dos arranha-céus que aparecem nas fotos da cidade: entre o deserto, o mar, os museus e os mercados tradicionais, a capital do Catar consegue agradar tanto quem busca aventura quanto quem prefere um ritmo mais tranquilo de viagem.