
Está pensando em viajar para a capital argentina? Saber o que comer em Buenos Aires faz parte da experiência de viagem! Buenos Aires é uma cidade que se conhece pelo estômago. A herança da imigração italiana e espanhola, misturada à tradição gaúcha do interior, criou uma culinária cheia de contrastes: o doce do dulce de leche o salgado das carnes, o amargo do mate. Se você está planejando uma viagem, aqui vai um roteiro completo do que não pode faltar no cardápio porteño.
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Nenhum dia começa em Buenos Aires sem uma medialuna. Parecidas com croissants, elas vêm em duas versões: de manteca, mais macia e levemente adocicada, e de grasa, mais crocante e salgada, tradicional dos bares mais antigos. É uma opção que combina com as manhãs e vai bem demais com um café com leite.
Mas as medialunas são só a porta de entrada para o universo das facturas, o nome genérico dado aos pães doces vendidos em padarias e confeitarias. O legla é que em muitos lugares pela cidade você pode pegar as facturas que você escolher, num estilo meio self-service. Vale provar:
O ritual da merienda, o lanche da tarde por volta das 17h ou 18h, é tão sagrado quanto o almoço, e normalmente é regado a mate ou café acompanhado de medialunas e facturas.
As empanadas argentinas são um mundo à parte. Cada região do país tem sua receita, e em Buenos Aires é possível provar quase todas elas. As mais clássicas são a de carne que tem carne em cubos, cebola, ovo cozido e azeitona. A de jamón y queso é o mesmo que presunto e queijo. Já a de humita é de milho com temperos e a de verdura geralmente tem acelga ou espinafre, cebola e alho. Essas duas opções são ótima para quem é vegetariano!
Um detalhe curioso: o repulgue, a dobra da borda da massa, muda de acordo com o recheio, assim, o garçom (ou você mesmo) sabe o que tem dentro sem precisar perguntar. As empanadas salteñas e tucumanas, vindas do norte do país, também têm presença garantida nos cardápios da capital.
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Se tem um prato que representa o dia a dia argentino, é a milanesa: um bife empanado e frito (ou assado), geralmente de carne bovina ou frango. Ela tem algumas variações, a milanesa napolitana é coberta com molho de tomate, presunto e queijo derretido, uma criação puramente portenha, sem relação direta com Nápoles. Já a Milanesa a caballo é feita com um ou dois ovos fritos por cima. Já a Sandwich de milanesa é uma millanesa entre dois pães, com alface, tomate e maionese, clássico dos bares.
Costuma vir acompanhada de purê de batata, batata frita ou uma salada simples e, na maioria dos lugares é uma porção bem generosa, podendo ser dividida para duas pessoas.

Não dá para falar de comida argentina sem falar de carne. O asado (churrasco pra nós) é mais do que uma refeição: é um evento social, geralmente de domingo, em volta da grelha (a parrilla), com conversa, vinho e paciência. Alguns cortes que todo visitante deveria experimentar:
Uma parrilla tradicional, seja em casa ou em restaurante, costuma servir tudo isso acompanhado de chimichurri e um bom Malbec.
Antes mesmo da carne chegar à mesa no asado, é quase certo que apareça o choripán, um chouriço (linguiça de porco temperada) grelhado inteiro, aberto ao meio no sentido do comprimento e servido dentro de um pedaço de pão crocante. Vendido em food trucks, na porta de estádios de futebol, em feiras de rua, carrinhos pela praça e, claro, no início de qualquer churrasco, é o sanduíche mais democrático da Argentina: rápido, barato e cheio de sabor. Algumas variações valem a pena conhecer:
Dica: se você quer economizar nas refeições, o choripán entra como uma boa opção! É fácil de encontrar em carrinhos de rua e é barato.

A pizza chegou com os imigrantes italianos, mas ganhou identidade própria em Buenos Aires. A massa costuma ser mais alta e a quantidade de queijo, generosa, muitas vezes exagerada, para o gosto de quem espera a versão italiana clássica. Você pode pedir algumas opções clássicas como a fugazza, sem molho de tomate, coberta de cebola. A fugazzetta, a fugazza com queijo derretido no meio. A muzzarella al corte, vendida em pedaços, ideal para comer andando pela rua e media masa com massa mais fina.
Bares históricos do centro da cidade seguem servindo pizza ao estilo clássico, com talheres e copo de vinho tinto na mesa, outra tradição bem local.
Se o asado é o rei do salgado, o alfajor é a rainha do doce. Basicamente dois discos de massa (ou bolachas) recheados de dulce de leche e cobertos de chocolate, açúcar de confeiteiro ou glacê. Algumas opções para conhecer o universo alfajoreiro argentino:
Cada região da Argentina defende "o melhor alfajor", e discutir isso com um porteño é quase um esporte nacional.
Se o alfajor é o doce individual mais famoso, o rogel é a sobremesa que se divide em fatias e conquista qualquer mesa. Ele é feito de várias camadas finíssimas e crocantes de massa (geralmente entre 20 e 24), intercaladas com generosas camadas de dulce de leche, formando uma torre alta que depois é cortada como uma torta. O toque final é uma cobertura de merengue italiano, muitas vezes queimado por cima com maçarico, criando um contraste entre o doce cremoso do recheio e o amargor leve do caramelo tostado.
Existem algumas variações que valem a pena conhecer. A versão clássica combina apenas massa, dulce de leche e o merengue tostado por cima, sem grandes adornos. Já o rogel de chocolate incorpora cobertura ou camadas de chocolate junto ao dulce de leche, para quem prefere um resultado ainda mais intenso. Também é comum encontrar o rogel em porção individual, tamanho perfeito para cardápios de restaurante e confeitarias, além de versões com nozes picadas entre as camadas, que trazem uma crocância extra ao conjunto.
É sobremesa quase obrigatória em confeitarias tradicionais e aparece com frequência em datas comemorativas e almoços de família, sempre servida em fatias generosas mas é difícil parar na primeira.

Vale um parágrafo à parte para o fernet con coca, praticamente a bebida oficial das noites argentinas. O fernet é um licor amargo de ervas, de origem italiana, com notas de menta, açafrão e outras especiarias, em geral a marca Fernet Branca é a preferida.
Sozinho, seu sabor é forte e intenso, mas os argentinos descobriram a combinação perfeita: misturá-lo com Coca-Cola, na proporção clássica de um terço de fernet para dois terços de refrigerante, servido em copo bem cheio de gelo. O resultado é um drinque agridoce, refrescante e surpreendentemente fácil de beber, que virou símbolo de encontros entre amigos, churrascos, baladas e rodas de conversa até tarde da noite. Não é exagero dizer que, em Buenos Aires, perguntar "vamos tomar um fernet?" é quase um convite social por si só.

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A comida em Buenos Aires é também um jeito de se relacionar. O mate, compartilhado entre amigos e família, é presente em praças, escritórios e casas o dia inteiro. O dulce de leche aparece em quase tudo, do café da manhã à sobremesa. O helado (sorvete) de tradição italiana, cremoso e artesanal, é parada obrigatória em qualquer passeio pela cidade. E para fechar a noite, o fernet con coca é a bebida que define os encontros entre amigos.
Os porteños também jantam tarde, muitas vezes depois das 21h ou 22h e prezam pela sobremesa, o famoso momento de ficar na mesa depois da refeição, só conversando. Comer em Buenos Aires, no fim das contas, é menos sobre pressa e mais sobre companhia. Se você for visitar a cidade, deixe espaço na mala (e no estômago), porque entre medialunas, empanadas, milanesas, asado, pizza e alfajores, a experiência gastronômica portenha é, ela mesma, um roteiro turístico completo. Saber o que comer em Buenos Aires faz parte da experiência de viagem!